As Minhas Ante-Estreias

11 Março 2012

"Viagem ao Centro da Terra 2: A Ilha Misteriosa (Journey 2: The Mysterious Island)" de Brad Peyton


3,5 anos depois de Journey to the Center of the Earth (por sinal um dos primeiros filmes 3D em imagem real, dos tempos actuais), as aventuras do eterno Jules Verne voltam à 7ª arte, mantendo o jovem John Hutcherson como co-protagonista.

A diferença é que desta vez não é Brendan Fraser a partilhar a grande tela com a jovem promessa (norte-americana) mas, sim, o mais robusto Dwayne Johnson (Fast Five). E, claro, em vez de explorarem as entranhas do nosso planeta, os protagonistas viajam para uma inóspita ilha algures no Oceano Pacífico.

Para os mais familiarizados com a obra do escritor francês, é sempre um prazer de ver as suas histórias adaptadas à 7ª arte... mesmo que perdendo algum do encanto transmitido pelo(s) livro(s). No entanto, devo confessar que o filme acaba por conseguir ser bem mais fiel ao espírito da obra do que seria expectável (pelo trailer e demais informação).

Quanto à história ela segue, como referido, o conceito fundamental d'A Ilha Misteriosa de Jules Verne.
Na esperança de reencontrar o seu avô, Sean (Hutcherson) convence o seu padrasto (Johnson) a viajar para uma enigmática ilha em pleno Oceano Pacífico que ambos julgam tratar-se da mítica ilha descrita por Verne.
Se lá chegar não foi tarefa fácil, sair de lá será bem mais difícil e apenas os conhecimento da obra de Verne, salvarão estes náufragos... é ver para crer!

Em vez de explorar o lado humano e de sobrevivência explorado de forma brilhante por Jules Verne nos seus livros dedicados ao mar, ilhas e demais aventuras de superação humana, o filme opta por tirar partido dos efeitos especiais (facilmente) disponíveis por estes dias - nomeadamente o CGI - para construir um verdadeiro parque de diversões em versão cinematográfica. Temos elefantes minúsculos, abelhas gigantes e nostálgicos submarinos(?)

Está muito longe de ser a obra-prima que o romance merecia, talvez David Fincher o faça com o anunciado as 20.000 Léguas Submarinas, mas não deixa de ser um prazer ver as novas gerações a experienciar, nem que seja ao de leve, um pouco da magia que acompanha(va) a caneta do famoso escritor.

Depois do sucesso de bilheteiras, já se fala de sequela. Faltará apenas saber qual a obra de Verne que servirá de base ao novo filme... ou se calhar basta ver o filme até ao fim, certo?



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09 Março 2012

"Contrabando (Contraband)" de Baltasar Kormákur


Pois bem, a época pós Oscars não começa com uma comédia-romântica nem com um filme pipoca! É mesmo murros e tiros pelo ar.

Mark Wahlberg, ex-NKOTB, foi sempre visto com enorme desconfiança pela crítica (e até algum público) da 7ª arte, não pela sua origem musical mas, sobretudo, devido ao seu discutível talento como actor.
Porém, os últimos anos têm sido generosos com ele. Participou em filmes premiados como The Departed ou The Fighter e protagonizou (com algum sucesso) obras mais másculas como Italian Job, Shooter ou Max Payne.

É pois neste registo mais destinado ao público masculino que Wahlberg volta a comandar um elenco competente que conta com nomes como Ben Foster, Kate Beckinsale, Giovanni Ribisi, J.K. Simmons ou Lukas Haas.

Contraband tal como o próprio título sugere é um filme de acção e grandes golpes que se desenrola em torno de uma família que após um passado ligado ao crime e ao contrabando, tenta viver uma vida normal. Mas a normalidade é sempre algo evolutivo e quando a necessidade o obriga nada resta do que voltar a velhos hábitos.

Chris (Wahlberg) tem um passado do qual não se orgulha nada, apesar de jeito inato para o contrabando. Porém, o seu pacato quotidiano será abalado quando o cunhado se vê envolvido numa transacção que corre mal. Obrigado a pagar a dívida familiar, Chris terá de voltar a reunir o seu antigo grupo para um último golpe.
Do Panamá a New Orleans, o experiente grupo terá que lidar com os inevitáveis imprevistos e com algumas inesperadas traições...

Contraband é baseado na obra islandesa Reykjavik-Rotterdam, protagonizada por Baltasar Kormákur que curiosamente nesta versão norte-americana assume a cadeira de... realizador!
Sem acrescentar muito ao género, o filme é extremamente competente nos seus propósitos deixando-nos curiosos quanto ao seu desenlace.
Pena é que, pontualmente, uma ou outra opção dos protagonistas sirva apenas para criar mais trama... mas ok.

Vale pelo carisma de Wahlberg e por algumas cenas bem conseguidas... e não deixa de ser um filme de acção com pés e cabeça!



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07 Março 2012

"Margin Call - O Dia Antes do Fim" de J.C. Chandor


Assim culminamos o nosso périplo pelos filmes mais conceituados de 2011 (dos nomeados aos Oscars falta apenas A Better Life, ainda inédito entre nós!).
E de que maneira!

Margin Call é um daqueles filmes que devia passar nos cinemas, televisões e rádios de todo o mundo, de forma a TODOS perceberam que, de facto, nos aconteceu!

Mas bem, antes de percebemos o que aconteceu no fatídico ano de 2008, ficamos a perceber o que acontece todos os dias. Enquanto a maioria tenta juntar uns trocos, há uma meia dúzia (de milhares) de iluminados (muito espertos!) que vivem com salários de 20.000, 200.000, 2.000.000 euros por mês. E não pensem que isso acontece apenas em Wall Street ou na City.

Essa gente, sendo que muitos deles não fazem mais do que gerir (e viver d)o dinheiro dos outros, entretêm-se a brincar aos milhares e milhões como se de uma simples mesada de criança se tratasse.
Mas, o argumento de J.C. Chandor (justamente nomeado ao Oscar) vai muito para além do dia-a-dia dessa escumalha. Recheado de estrelas de inegável qualidade, onde se destacam Jeremy Irons, Kevin Spacey, Stanley Tucci, Demi Moore, Paul Bettany ou Zachary Quinto, o filme acompanha o Dia (ou melhor a Noite) que antecedeu o principio da imensa crise financeira que abalou os mercados.

Oliver Stone (em Wall Street 2) tinha alertado para a recorrência destas catástrofes financeiras que atingem milhares e fazem cócegas aos verdadeiros culpados! Mas Chandor é bem mais cáustico e incisivo! Coloca-nos a par dos protagonistas, faz-nos ponderar das consequências das suas acções e deixa-nos acompanhar o seu egoísmo e falta de

Margin Call é, em definitivo, o filme que esclarece A+B o que aconteceu para estarmos a viver a maior crise dos tempos modernos. E se o filme toca apenas ao de leve "na água que encheu o copo", é totalmente parcial e implacável no que diz respeito "à gota que o fez transbordar"!

É verdade que o filme, volta e meia, esquece que nem todo o público está a par de alguma terminologia e deixa-se levar por uma ou outra explicação mais técnica e economicista.
Mas meus caros, o resultado está à vista de todos e a culpa reside, em larga escala, nos ombros de meia dúzia de multi-bilionários que não estavam dispostos a prescindir da sua vida de luxos exorbitantes, prazeres reprováveis e vícios doentios.

Entretanto quem ganhou mais com tudo isto acabou mesmo por ser J.C. Chandor.
Deixou, desde logo, a sua marca na 7ª arte (logo no filme de estreia) e prepara-se para lançar, no próximo ano, All is Lost com Robert Redford como protagonista.



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05 Março 2012

"Jack & Jill" de Dennis Dugan


Comecei a observar Adam Sandler (ainda que com alguma desconfiança) a partir de Big Daddy, filme que ainda vi em casa e não no cinema...

2 anos depois, Sandler protagoniza o seu primeiro filme sério. Entrega-se a Paul Thomas Anderson (em Punch-Drunk Love) e mostra um talento que a maioria julgava impossível.
Curiosamente começa aí o melhor período do cómico norte-americano com filmes como Anger Management (junto a Jack Nicholson), 50 First Dates (com Drew Barrymore) ou Click.

No ano seguinte segue-se a sua 2ª incursão pelo drama com Reign Over Me, um filme memorável que infelizmente não chegou aos nossos cinemas. Bedtime Stories e Grown Ups são já filmes intermitentes, e Funny People (que o junta a Jupp Apatow,) não mereceu estreia nas nossas salas (vá-se lá entender porquê).

Chegamos a 2011 e a 11 MERECIDÍSSIMAS nomeações aos Razzies! Injusto será apenas... se não ganhar todos os prémios para que está nomeado! Jack & Jill consegue ser bem pior que Just go With It, outro dos grandes nomeados aos razzies deste ano... e que conta, igualmente com Adam Sandler como protagonista!

Em Jack & Jill, Sandler segue os passos de outros mestres da comédia norte-americana (o nome do caído em desgraça Eddie Murphy vem-me logo à memória) ao encarnar várias personagens, com especial destaque para os dois protagonistas.
O humor é o do mais básico possível, o enredo sem a mínima chama ou coerência e depois ainda temos de levar com Al Pacino a fazer uma versão inacreditavelmente idiota de si mesmo!
Katie Holmes - em tempos uma promissora actriz - tem andado ausente da 7ª arte (devido à sua condição de mãe) e depois tem o azar de entrar neste filme, para fazer de mulher de Jack. Será mesmo azar... ou pura idiotice!!

Dennis Dugan, o eterno parceiro de Sandler, já teve momentos bons e momentos menos bons mas este faz lembrar aquela imortal frase de Billy Beane (Brad Pitt) em Moneyball "there are rich teams and there are poor teams. Then there's fifty feet of crap, and then there's us "
Não conseguiria ser mais elucidativo que isto para definir o que achei de Jack & Jill.

Melhores dias virão tanto para Dugan como para Sandler, disso tenho certeza, porque pior que isto é (quase) impossível!

A parte boa é que, por estes dias, o que não falta é... outros filmes bons para ver no cinema!



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03 Março 2012

"Vergonha (Shame)" de Steve McQueen


Com a eminente estreia deste Shame no nosso país, vi-me obrigado a ver (finalmente) a obra de estreia de Steve McQueen - o tal filme que lançou a carreira de Michael Fassbender - de seu nome Hunger. E que filme!

É pois, bem fresco na memória deste retrato implacável da luta de Bobby Sands contra o Estado britânico, que assisti a Shame.
O contraste não poderia ser maior. A luxúria, a avareza, o vício e a solidão são agora, os temas centrais de uma obra que choca até o mais libertino dos liberais.

Não há como evitá-lo! O filme vai muito para além das recorrentes cenas de sexo (quase) explícito mas estas funcionam, inevitavelmente, como o seu elemento central.

Brandon Sullivan (Fassbender) é um bem sucedido publicitário que leva uma vida de (charmoso) playboy. Porém, por detrás dessa imaculada (mesmo que criticável) imagem pública, o inveterado solteirão esconde uma existência (privada) bem mais dura e sombria.
Desamparado de qualquer sentido de moralidade, Brandon envolve-se em constantes encontros sexuais (não olhando a custos, géneros ou números) que mesmo assim são incapazes de saciar a sua extrema dependência física... e emocional.
No meio deste turbilhão de emoções e conflitos surge Sissy (Carey Mulligan), sua irmã mais nova. Uma cantora de imenso talento, Sissy denota uma fragilidade similar à do seu irmão, ainda que esta se manifeste de forma completamente distinta.
Juntos e apesar do inevitável choque fraternal, os dois irmãos tentarão lidar, da melhor maneira, com as suas lacunas morais e emocionais.

Tal como tinha acontecido na sua obra de estreia, McQueen filma toda esta fragilidade com uma sensibilidade invejável, optando invariavelmente pelo caminho mais tortuoso e visual. No cinema do realizador inglês não há espaço para conjecturas ou suposições. Tudo o que acontece é visível em frente das câmaras, por muito que isso possa chocar o espectador. Já o tinha feito com a greve de fome de Bobby Sands, agora fá-lo com a vergonha de Brandon Sullivan.

Se McQueen se mantém fiel à linha directora que tem moldado a sua (ainda curta) carreira e o seu (imenso) sucesso junto da crítica e do seu público, já Fassbender vai muito para além do que tinha demonstrado até agora, confirmando todo o seu talento e justificando prémios e nomeações (e a injustiça dos Oscars!).
Mais não seja pela coragem demonstrada em expor o seu corpo e a sua alma, Fassbender está predestinado a ser um dos grandes actores dos próximos anos.

Shame estará bem longe de ser um filme consensual e fácil de encaixar.
Sem olhar a preconceitos tanto realizador, como protagonista ou secundária, seguem a direito no seu intento de contar uma história realmente... dolorosa!

Bem para lá dos vícios e das fraquezas de cada um, o filme demonstra que há realidades bem mais comuns do que aquilo que podemos imaginar.
Não tenham dúvidas disso... e não critiquem sem tentar, primeiro, compreender!



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01 Março 2012

"Extremamente Alto, Incrivelmente Perto (Extremely Loud & Incredibly Close)" de Stephen Daldry


Depois de 3 nomeações ao Oscar de Melhor Realizador (em outros tantos filmes: Billy Elliot, The Hours e The Reader), Stephen Daldry teve de se contentar com a nomeação para Melhor Filme!

Extremely Loud & Incredibly Close aborda, de forma subtil mas omnipresente, as consequências dos atentados de 11 de Setembro, numa família destroçada pelos acontecimentos.
No entanto, mais do que explorar a sensibilidade norte-americana perante um facto, ainda, tão presente, o filme desenrola-se bem para lá desse fatídico dia.

Apesar da presença de nomes sonantes como Tom Hanks, Sandra Bullock, Viola Davis, John Goodman, Jeffrey Wright ou Max Von Sydow (nomeado ao Oscar de Actor Secundário), o protagonismo é por completo entregue ao jovem estreante Thomas Horn que regista um desempenho impecável na papel de um miúdo autista(?) que tenta perceber a razão dos factos referidos/conhecidos.

Mas Oskar (Horn) é, de facto, um rapaz especial. As suas lacunas a nível social foram desde cedo combatidas pelo seu pai (Hanks) que o incita, constantemente, a novos jogos que potenciem o seu contacto com pessoas estranhas.
Mas quando este morre e Oskar fica entregue aos cuidados da sua mãe (Bullock), o jovem rapaz terá bastante dificuldade em digerir as suas emoções.
Uma enigmática chave (até parece Hugo!), descoberta nos pertences do seu pai irá "obrigá-lo" a um último desafio que o levará numa viagem electrizante pelas ruas de nova-iorque, muitas vezes sozinho, noutras acompanhado por um enigmático e sui generis vizinho (Sydow).

Daldry é um contador de histórias por excelência e senhor de uma sensibilidade bem acima da média, como o comprovam as suas obras anteriores. A coragem demonstrada em deixar um jovem estreante conduzir todo um filme recheado de estrelas e com um argumento altamente sensível, demonstra todo o seu talento como realizador.

Há momento em que desconfiamos dos seus intentos e em que tudo parece direccionar-se para um desinteressante desenlace. Puro engano! O realizador inglês nunca o iria permitir e muito menos o argumentista Eric Roth, responsável por filmes como Forrest Gump, The Insider, Munich e Benjamin Button (para referir apenas aqueles que lhe valeram nomeações aos Oscars!).

A ferida ainda está demasiado aberta para os americanos se permitirem a avaliar, em toda a sua extensão, o impacto deste acontecimento nas suas vidas. Daí que seja louvável a "coragem" da Academia em apontá-lo como um dos (9) Melhores Filmes do Ano.
Mesmo que em termos artísticos não traga nada de novo é um filme carregado de emoções que não sendo DE TODO lamechas, não deixa de provocar aquele arrepio inconfundível na espinha - o equivalente à lágrima no canto, para os mais sensíveis!

Bela História!



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29 Fevereiro 2012

"Albert Nobbs" de Rodrigo García


Glenn Close andou tempo demais arredada das luzes da ribalta!
Aos 65 anos a actriz de Fatal Attraction ou Dangerous Liaisons alcança a sua 6ª nomeação aos Oscars, 23 anos depois da 5ª...

Na década de 80, Close insurgiu pela 7ª arte num misto de raiva e beleza que lhe garantiram 5 nomeações aos prémios da Academia (num curto espaço de apenas 7 anos)... a sexta acontece apenas, agora, com este Albert Nobbs.

No entretanto, a sua carreira foi perdendo chama ficando na memória os seus desempenhos como Cruella de Vil (em 101 Dalmatians e respectiva sequela)... e pouco mais!

Pois bem, a nova geração tem o fortúnio de conhecer a Glenn Close dos melhores dias, graças a um desempenho memorável e totalmente merecedor de toda a atenção que suscitou.

Partindo de um argumento escrito pela própria actriz (adaptando um conto irlandês do século XIX), o realizador colombiano Rodrigo García - o autor de Mother and Child - constrói uma narrativa algo titubeante mas que dá espaço para que a veterana actriz confirme todo o seu talento e coragem!

Close dá corpo a Albert Nobbs, um criado de um hotel chique irlandês que esconde de todos a sua condição de mulher, única forma de ser independente e bem sucedida (naqueles tempos!). O seu grande sonho é juntar dinheiro suficiente para comprar uma loja e fugir de olhares mais desconfiados. Mas num mundo altamente masculinizado e duro, um peculiar e extrovertido pintor poderá ser o catalisador de intensas mudanças.

Para além de Close, destaca-se no elenco Mia Wasikowska (mais conhecido como Alice), o irlandês Brendan Gleeson e uma irreconhecível e igualmente nomeada ao Oscar (como Actriz Secundária) Janet McTeer.

O filme acaba por revelar-se um pouco insípido e pachorrento mas é pontuado por 2 desempenhos de elevadíssima qualidade que valem bem o bilhete de cinema.
Infelizmente nesta altura do ano a oferta cinematográfica é demasiado vasta e há filmes com tamanhas virtudes que se perdem por entre a múltiplas salas dos multiplex!

De qualquer modo já deixou a sua marca!



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Fica, também, a música que se ouve no genérico final. Uma das que faltou nos (nomeados aos) Oscars para Canção Original!

28 Fevereiro 2012

"Cavalo de Guerra (War Horse)" de Steven Spielberg


Facto: Steven Spielberg é o cineasta-vivo com mais obras nomeadas ao Oscar de Melhor Filme (e neste mítica lista não constam filmes como Empire of the Sun, Jurassic Park ou mesmo, Tintin!).

Argumento: Steven Spielberg é o maior cineasta vivo, não só pelos filmes dramáticos que nos oferece mas, também, pela forma hábil como se movimenta (e ajudou a construir) na indústria do cinema, i.e. os blockbusters!

Esclarecida esta "situação" falemos, então, de War Horse.
Restam poucas dúvidas que estamos perante um dos melhores filmes do ano. Pese embora Spielberg já nos tenha presenteado com obras bem superiores e não se tratando, especialmente, de uma obra reveladora, War Horse é um filme competentíssimo, emocionante e visualmente atraente.

Baseado num romance e numa peça de teatro do West End, War Horse explora os horrores e os desencontros da I Guerra Mundial, numa era em que a própria guerra foi alvo das maiores revoluções dos nossos tempos.

Poucas vezes retratada na 7ª arte (talvez pela ausência dos americanos, talvez pela sua brutalidade e mortandade), a I Guerra foi um período negro da História europeia! Se os Homens era tratados de forma desumana, combatendo invariavelmente em condições inimagináveis nos nossos dias, o que dizer dos animais envolvidos. Neste capítulo terão sido os cavalos os maiores mártires desta lástima, até mesmo do ponto de vista simbólico.
Se antes de 1914 os cavalos acompanhavam os "guerreiros" mais virtuosos, durante essa guerra passaram a funcionar bem mais como animais de carga.

É assim, sob o olhar de uma cavalo inglês, de seu nome Joey, que acompanhamos alguns episódios sintomáticos de uma Guerra difícil, imoral e demasiado .
Antes de ir para a Guerra, Joey foi criado e amado por um jovem camponês (Jeremy Irvine) bastante humilde mas que acredita plenamente no seu fiel amigo. Juntos criaram uma relação especial que a Guerra colocará à prova.
Enquanto Albert fazia-se homem em casa, antes de se poder alistar, Joey vagueava em pleno campo de batalha, servindo ambos os lados da barricada e convivendo com as mais distintas personagens (desta guerra).

Se o enredo é suficientemente sólido para nos manter interessados no seu desenlace, já o som e a imagem, pelas mãos de John Williams (Banda-sonora) e Janusz Kaminski (Fotografia) - ambos históricos colaboradores de Spielberg - são de uma qualidade irrepreensível!
Somos facilmente levados pelo brilhantismo do trabalho destes 3 senhores da 7ª arte. Sente-se uma vibrante e contagiante harmonia que é utilizada em prol do resultado final!

Não trará nada de novo mas War Horse não deixa de ser um filme memorável.



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27 Fevereiro 2012

Nota Pessoal: Oscars 2011 - Vencedores (37ª)


Cerimónia sem grande vida e com pouquíssimas surpresas (se é que houve alguma!).

The Artist acabou por ser o grande vencedor da noite com 5 Oscars (incluindo Melhor Filme, Realizador e Actor Principal - Jean Dujardin), os mesmos 5 conquistados por Hugo (antes que este em categorias meramente técnicas: Som, Efeitos Visuais, Direcção Artística...).

Destaque ainda para o 3º Oscar para Meryl Streep como Actriz Principal (à 17ª nomeação), sendo que The Iron Lady conquistou ainda a estatueta de Melhor Caracterização.

Nota ainda para Octavia Spencer (The Help) e Christopher Plummer (Beginners) vencedores nas categorias secundárias de representação.

A Melhor Animação foi entregue a Rango e o Filme Estrangeiro para A Separation. Nos argumentos os prémios foram para Midnight in Paris (Original) e The Descendants (Adaptado).
Por fim, The Girl with the Dragon Tattoo quedou-se pelo Oscar de Melhor Montagem e Man or Muppet (The Muppets) arrecadou o de Melhor Canção Original.

Relativamente às nossas apostas, a previsibilidade deu nisto. 19 previsões certas (CS) e 10 certas (AS) em 24! Cá fica a prova.

CS

AS

22 Fevereiro 2012

"Guerra é Guerra (This Means War)" de McG


Que bela surpresa! Já todos sabíamos que a história seria fraquinha, os desempenhos esforçados e a acção de trazer por casa mas o que não contávamos era que o filme fosse tão bem disposto e provocasse tamanhos momentos de diversão!

Comédia-romântica com contornos de thriller policial, This Means War vale, acima de tudo, pelos momentos de comédia protagonizados pelo trio de protagonistas. Se Resse Witherspoon é já uma habitué neste tipo de cinema. Chris Pine e, especialmente, Tom Hardy são hilariantes e completas revelações!

Quando dois amigos (Pine e Hardy) e colegas de trabalho - na CIA -, apaixonam-se pela mesma mulher (Witherspoon), encetam uma cavalheira disputa pelo coração da donzela. Mas todo esse cordialismo dura... 2 minutos.
Rapidamente ambos os agentes secretos colocam as suas perícias e ferramentas (de trabalho) ao serviço da respectiva relação amorosa, ao mesmo tempo que tentam boicotar os intentos do outro!
E se com 2 homens "comuns" já seria uma batalha e penas, imaginem o que acontece quando 2 implacáveis agentes especiais têm de lutar pela atenção da mesma mulher!

Depois de uma cena de abertura que tenta marcar o tom mais sério do filme, este rapidamente envereda por um estilo bem mais descontraído para o qual muito contribui Chelsea Handler, no papel de melhor amigo da protagonista. É assim, de momento embaraçoso para momento compremetedor, de momento hilariante para momento divertido que vamos sorrindo, rindo e "gargalhando" a cada nova situação.

O desenlace é o mais chessy possível mas entretanto o mal (ou o bem!, neste caso) já estava feito e nada como um salto em queda livre para culminar a acção.

Prestes a terminar a época dos Oscars, This Means War eleva, desde já, a fasquia para as comédias-românticas que se adivinham!



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20 Fevereiro 2012

"A Invenção de Hugo (Hugo)" de Martin Scorsese


Aquilo que começa como uma fábula (ou conto de fadas) infantil, digna de Charles Dickens ou Mark Twain, culmina como uma das mais belas homenagens às origens do cinema. A História é grandiosa, a história (do filme) not so much!

Se o enredo peca, aqui e ali, por alguma falta de virilidade e deslumbramento, a realização de Martin Scorsese é de um primor invejável!
Depois de James Cameron e Robert Zemeckis terem demonstrado em definitivo com Avatar e A Christmas Carol, que o 3D, quando utilizado como ferramenta visual - e não apenas como forma de ganhar dinheiro - é uma imensa mais-valia para a experiência cinematográfica, agora chega a vez de Scorsese tirar todo o partido desta nova revolução.

Em Hugo, somos literalmente inundados por um mundo de fantasia e alegorias onde uma estação de caminhos de ferro parisiense assume pleno destaque. Lá encontramos uma série de típicas e coloridas personagens: o escrupuloso polícia (veterano da I Guerra Mundial) a cargo de Sacha Baron Cohen, o sábio livreiro (Christopher Lee), o enigmático lojista e ilusionista (Ben Kingsley), a ternurenta dona da pastelaria (Emily Mortimer), dois embevecidos jovens da terceira idade e uma imensidão de passageiros em constante correria.

Estamos nos anos 20 (do século passado), no meio deste imenso cenário vivo, encontramos uma jovem criança, de seu nome Hugo Cabret (Asa Butterfield). A sua única ocupação passa por garantir a manutenção dos múltiplos relógios da estação. O passado não foi muito generoso com ele e a única memória que guarda do seu pai (Jude Law), um habilidoso relojoeiro, é um boneco articulado mas que infelizmente nunca funcionou.
Hugo está seguro que nele está guardado uma última mensagem do seu pai e quando encontra na sua nova amiga Isabelle (Chloë Grace Moretz) a chave para colocar o boneco a funcionar entrará numa viagem inacreditável.

Afinal, de onde vêem os nossos sonhos? É isso que Scorsese e, umas décadas antes, Georges Méliès tentam responder (com este filme)!
O que torna tão primorosa e irónica a opção (do 3D) de Scorsese é que ela serve precisamente para contar um pouco da História esquecida do cinema global. Se agora temos a tridimensionalidade (e o CGI), noutros tempos a magia era obtida com ferramentas igualmente revolucionárias e maravilhantes... mesmo que agora possam parecer grandiosamente rudimentares!

Mais do que um filme, Hugo é uma homenagem às origens e ao futuro próximo do cinema, às suas potencialidades e às suas memórias.
Hugo é um manifesto de gratidão a todos os intervenientes do mundo do cinema e a todos os aspirantes a sê-lo!

Talvez seja injusto pedir mais mas não senti aquela arrepiante emoção de desvendar um imenso segredo! Faltou closure...

E, infelizmente, não é melhor que The Artist!



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17 Fevereiro 2012

"Le Havre" de Aki Kaurismäki


Será quase escusado admitir que não fosse o convite para a antestreia e o mais natural seria não ter visto este filme.

Numa altura em que às nossas salas de cinema chegam, em catapulta, os filmes mais premiados (e nomeados) do ano, não sobra (infelizmente) muito tempo para novas descobertas.

Aki Kaurismäki, o realizador finlandês que curiosamente passa grande parte do ano no nosso país, apresenta-nos uma obra com um estilo muito próprio mas com uma temática bem simples, a solidariedade.

De forma bastante crua e elementar, o filme vai directo ao seu objectivo, mostrando as pessoas, as suas emoções e as suas acções e não se perdendo por complexidades desnecessárias.
À câmara de Kaurismäki interessa gravar as expressões, contar a sua história e deixar a margem certa para cada um juntar as pontas e explorar os seus próprios sentimentos.

Um senhor de idade, um jovem refugiado e toda uma pequena comunidade da zona portuária de Le Havre formam o epicentro de uma história sobre a origem e o destino de certas relações humanas.

O veterano engraxador ambulante Marcel Marx (André Wilms), contenta-se com o seu simples dia-a-dia na cidade e, sobretudo, com o regresso para a sua humilde casa onde a mulher lhe prepara o jantar e arruma a roupa na mais profunda caridade.
No bairro todos conhecem Marcel - fruto dos calotes que vai acumulando mas também das relações de amizade que foi cimentando - e quando a mulher adoece ninguém ficará indiferente à sua solidão. E se Marcel não tem razões para se sentir abandonado, ficará muito mais grato à sua comunidade quando se sente compelido a albergar um jovem emigrante em fuga das autoridades.
Lá, num bairro simples e modesto, onde a maioria das pessoas passa dificuldades, a ajuda ao próximo é vista como algo natural (e imperativo)... quase como uma "raison d'être"!

Apesar de não ser explícito (nem assumido) toda a mis-en-scéne remete para os anos 60/70 do século passado, altura em que Le Havre era um importante porto de ligação entre África e o resto da Europa e em que as relações humanas (entre vizinhos) tinham outro valor e relevância.

Mas se há algo que nos prende ao filme, é uma certa inocência que nos impossibilita de julgar as acções de todos os protagonistas... por mais estranhas ou imprevisíveis que elas nos possam parecer.

Le Havre fez-me lembrar a mítica série Allô Allô!. Desconheço se essa comparação é intencional ou até mesmo minimante válida mas há por ali um certo humor francês que só mesmo quem está familiarizado com o povo gaulês poderá apreciar na totalidade.

Foram 4 nomeações aos European Film Awards (Filme, Realizador, Actor e Argumento) e 3 aos Césares (Filme, Realizador e Cenário). É este o seu cartão de visita!

Está muito longe do mainstream mas isso não pode ser visto como um condicionante... bem pelo contrário!



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15 Fevereiro 2012

"Hunger" de Steve McQueen


Tenho muitos filmes por comentário, alguns mesmo de antestreias nacionais. Filmes com elevadíssima qualidade e filmes de forte apelo artístico. Mas quando um filme nos desfaz desta maneira, o melhor mesmo é deitar tudo cá para fora!

Há muito que tinha ouvido falar de Hunger, de Steve McQueen e, obviamente, de Michael Fassbender. Sabia que o primeiro tinha revelado os outros 2! Que o segundo era um realizador diferente, adepto do cinema independente e senhor de uma visão crua e dura do mundo que nos rodeia (e que o influenciou). Do último ouvi falar dele com relevo, pela primeira vez, graças a Inglourious Basterds mas confesso que só passado alguns meses o consegui identificar visualmente. Soube do seu brilhante desempenho em Hunger e de como estaria preste a conquistar a América (e o Mundo) depois de X-Men, A Dangerous Method e Shame - 2º parceria entre Fassbender e McQueen -, filme que lhe valeu o prémio de representação em Veneza (e que estreia muito brevemente no nosso país!).

Mas voltemos a Hunger.
Aparentemente o filme desenrola-se totalmente em torno do imenso talento de Fassbender, da forma física, amínima e espiritual como encarna Bobby Sands, o antigo prisioneiro do IRA que em forma de protesto contra a política da Srª Thatcher, iniciou uma brutal greve da fome, em 1981, na Maze Prision, Irlanda do Norte.
No entanto se Fassbender nos prende em frente da câmara, é McQueen quem o coloca lá, quem assume o risco de mostrar aquilo que não queremos ver, quem não se retrai na hora de seguir o seu caminho.

Hunger é um daqueles filmes que causa desconforto que pode, inclusive, enojar-nos mas é, também, uma obra reveladora, de uma subtiliza desarmante e de uma fluidez intempestiva.
De um momento para o outro somos jogados para o meio dessa batalha desumana entre protestantes e católicos, unionista e separatistas, carcereiros e prisioneiros. Não temos tempo de escolher lados, cerrar fileiras ou proteger-nos.
Entra tudo pelos nossos olhos, pela nossa alma, de forma bruta e irrepreensível e depois ainda temos direito a um dos mais brilhantes diálogos politico-social-cultural-religiosas da história recente do cinema mundial.
Estou rendido!

Depois disto não sei o que esperar de Shame!
Dizem que Fassbender e McQueen se encontram agora no outro lado da cidade, onde a luxúria, a arrogância e a avareza andam de mãos dados sem medo de se revelarem...

... e para o ano teremos Twelve Years a Slave!



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14 Fevereiro 2012

"Prometo Amar-te (The Vow)" de Michael Sucsy


Até aparecerem as últimas letras (e a última foto), The Vow não era mais do que mais uma esperançosa história de amor que emocionava os mais sensíveis e mantinha indiferente os mais sisudos. Mas há algo de realmente distinto naquelas poucas palavras... que torna a História memorável.

Foi este o programa (antecipado) do Dia dos Namorados e não se pode dizer que não tenha sido bem passado!

Antes deste The Vow, o realizador Michael Sucsy trazia no seu currículo um dos mais premiados telefilmes de 2009, Grey Gardens (Emmy, Golden Globe!). Bem, agora, já tem dois filmes com que se orgulhar... mesmo que desta vez não seja com uma obra mais adocicada.

Paige (Rachel McAdams) e Leo (Channing Tatum) formam um jovem e alegre casal com um atitude positiva perante a vida. No entanto, tudo parece ruir quando após um improvável acidente de viação, Paige perde a memória e não reconhece o seu marido.
Enquanto se tenta recompor de tamanho trauma, Paige será tentada (pelos próprios pais) a esquecer a sua vida actual e a voltar a um passado distante mas que para si é bem presente.
Até onde resistirá (o Amor de) Leo (por Paige)... o único que sente em pleno o trauma do acidente?

Voltando um pouco atrás, é terna e exemplar a opção de vida assumida pelo casal protagonista do filme (de lembrar que o filme é baseado numa história verídica) que, em prol das suas convicções e emoções, escolheu a sua felicidade em detrimento daquilo que seria socialmente e familiarmente mais "fácil"!

Em suma, uma lição de vida, a todos os níveis, e uma bela história de amor que mesmo perdendo alguma relevância e clarividência durante alguns momentos acaba por descobrir, no seu desenlace, uma virtuosidade inesperada.

Doce!



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